Felca se Defende em CPI da Íris: Relação com Tools For Humanity É Negada

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Íris promoveu uma nova audiência na última terça-feira (9) para aprofundar investigações sobre a empresa Tools For Humanity, que está sendo alvo de denúncias pela coleta de dados biométricos em troca de compensações financeiras em ativos digitais. Durante a audiência, o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, foi convidado a comparecer virtualmente para esclarecer sua suposta conexão com a organização investigada.

A convocação de Felca se deu devido à sua influência no debate sobre segurança infantil online, especialmente após sua contribuição para a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A presidente da comissão, Janaina Paschoal (PP), detalhou a ligação entre o trabalho do influenciador e os interesses da empresa de tecnologia biométrica, que busca expandir o uso de suas ferramentas no setor público.

Segundo Paschoal, a empresa buscou influenciar legislações favoráveis, incluindo o projeto do ECA Digital, que, segundo ela, foi acelerado por um vídeo produzido por Felca. No entanto, o influenciador negou qualquer vínculo contractual ou parceria com a Tools For Humanity, afirmando não haver contato comercial ou proposta entre sua equipe e a empresa responsável pelo escaneamento de íris.

A relatora da CPI, Ely Teruel (MDB), questionou Felca sobre a segurança de dados biométricos armazenados por uma corporação estrangeira, levantando preocupações sobre a criação de um banco de dados global baseado na leitura de íris. Felca expressou cautela em relação ao modelo de negócios da empresa, rotulando suas práticas como questionáveis do ponto de vista da privacidade. Ele disse: “Quanto mais precisos os dados, mais interessante se torna para várias empresas. Isso pode ter um fim perigoso.”

Além disso, a reunião da CPI também discutiu a ausência de representantes do Banco Central e da Receita Federal, que não estiveram presentes na audiência agendada. O colegiado aprovou requerimentos para intimar essas instituições a prestarem contas sobre a legalidade das transações financeiras que envolvem moedas digitais e ativos que não possuem curso legal no Brasil.

A próxima fase da investigação terá início em fevereiro de 2026, com novas oitivas planejadas e a convocação de representantes da Defensoria Pública e da própria Tools For Humanity. A CPI está atenta às implicações da tecnologia biométrica e à regulamentação do uso de dinheiro digital em pagamentos por serviços públicos e privados.

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