No dia 10 de dezembro de 2025, as autoridades dos Estados Unidos apreenderam um grande navio petroleiro na costa da Venezuela, citando a evasão de sanções econômicas como a razão. Esta ação intensificou a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro e destacou a necessidade premente de compreender as redes financeiras que atuam no país sul-americano. Segundo um relatório da TRM Labs, a infraestrutura digital tem desempenhado um papel fundamental no contexto do isolamento financeiro.
Ari Redbord, chefe global de política da TRM Labs, comentou que: “Há anos a Venezuela recorre a qualquer meio disponível para movimentar valor sob pressão das sanções, seja por meio de transferências de petróleo nas sombras, intermediários de transporte ou o fracassado Petro.” Ele observa que, embora as stablecoins sejam essenciais para a economia informal, eles permanecem sob monitoramento devido ao seu potencial uso indevido para evasão de sanções.
A adoção de tecnologia cripto na Venezuela tem crescido, especialmente com o uso de stablecoins como o USD Tether (USDT). Isso se deve à falta de canais bancários domésticos confiáveis, o que fez com que muitos venezuelanos recorressem a ativos digitais como um meio de armazenamento de valor. A hiperinflação e as dificuldades em transações financeiras tradicionais fomentaram um ambiente onde as moedas digitais se tornaram cada vez mais populares.
Dados indicam que os usuários na Venezuela frequentemente interagem com plataformas que facilitam transações ponto a ponto, tornando a conversão para moedas fiduciárias mais acessível. No ranking de adoção de criptoativos, a Venezuela ocupou a décima primeira posição entre os vinte principais países em 2025, refletindo uma dupla realidade onde o uso legítimo coexiste com atividades que atraem a atenção das autoridades internacionais.
Apesar de seu potencial positivo, a estrutura regulatória do país enfrenta desafios significativos. A falta de clareza normativa impulsiona a criação de corretores informais que operam fora da supervisão do sistema bancário tradicional. Isso gera riscos associados à evasão de sanções e à movimentação de fundos de forma rápida e opaca. O uso de exchanges ponto a ponto, por sua vez, diminui a transparência das transações financeiras, dificultando a rastreabilidade.
Além disso, a instabilidade econômica e a desvalorização da moeda local perpetuam a demanda por moedas digitais como forma de reserva de valor e instrumento de troca. A incerteza regulatória prolonga a dependência de modelos de serviços híbridos, limitando a consistência na conformidade regulatória do setor de ativos digitais, e destaca a necessidade de um quadro regulatório mais robusto e claro.

