CPI da Íris Revela Pagamentos Exclusivos em Tokens da Worldcoin no Brasil

Na sessão da CPI da Íris realizada na Câmara de São Paulo no dia 30 de setembro, os vereadores discutiram a situação envolvendo a Tools For Humanity (TFH) e suas intermediadoras no Brasil. Durante a audiência, relatos de profissionais que prestaram serviços à TFH levantaram questões significativas sobre o uso exclusivo de tokens da Worldcoin como forma de pagamento.

O primeiro depoente, Tiago Cortinaz da Silva, proprietário da CV Gestão e Consultoria, afirmou que sua empresa alugava imóveis para a TFH e que os pagamentos eram feitos apenas em tokens da Worldcoin. Esses tokens precisavam ser convertidos para reais brasileiros para que a remuneração de funcionários e o pagamento de aluguéis fossem viabilizados. Segundo Tiago, o objetivo principal era facilitar a verificação da íris dos cidadãos.

Nosso grande desafio era viabilizar áreas para executar o projeto”, declarou Tiago, que também ressaltou que planejava abrir três locais para escaneamento da íris, mas apenas um conseguiu operar. Atualmente, ele não possui mais qualquer vínculo com a TFH.

Outro depoente, Otávio Negrão Roquim, associado à Festejola Brasil, trouxe à tona importantes divergências em seu depoimento. Ele inicialmente afirmou que sua função era assinar documentos, mas depois contradisse sua própria declaração ao dizer que não tinha conhecimento do serviço que estava prestando.

Essa confusão chamou a atenção do vice-presidente da CPI, Gilberto Nascimento, que insinuou que Otávio poderia estar atuando como um laranja para a empresa. Nascimento mencionou ainda que, entre 2015 e 2017, Otávio recebeu quase R$ 6 milhões de verbas governamentais, questionando a integridade e a transparência das operações.

As observações feitas pelos vereadores durante a sessão da CPI evidenciam a necessidade de um exame mais aprofundado das atividades da TFH no Brasil, especialmente em relação aos contratos das empresas envolvidas. O vereador João Ananias também expressou sua insatisfação com a falta de informações fornecidas por Otávio, sugerindo que as próximas investigações devem focar em outras empresas atreladas ao caso.

Esse desdobramento nas operações da Worldcoin no Brasil levanta sérias preocupações acerca da utilização de criptomoedas em transações comerciais e da segurança envolvida nos processos de identificação digital utilizando tecnologia avançada.

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