Como as Stablecoins Estão Transformando o Mercado de Câmbio no Brasil

A Bity organizou na última sexta-feira um evento chamado Cripto Payments, em São Paulo, onde especialistas do setor financeiro e jurídico se reuniram para discutir o papel das stablecoins na evolução dos pagamentos internacionais e na integração das operações cross-border no Brasil. A discussão abordou a infraestrutura blockchain e suas implicações na regulação e adoção dessas novas tecnologias no mercado de câmbio.

O CFO da Bity, Ibiaçu Caetano, iniciou o encontro afirmando que as stablecoins estão, de fato, redefinindo a dinâmica do câmbio. Ele mencionou que o objetivo principal era capacitar o mercado a operar com esses ativos digitais de forma segura e alinhada às normas regulatórias. “O câmbio com stablecoins já é realidade. O que precisamos agora é de um entendimento robusto das regras e compliance necessário para operar”, disse Caetano.

Durante a apresentação, foi destacado que as stablecoins oferecem vantagens operacionais significativas, como liquidações instantâneas, operação 24 horas por dia, 7 dias por semana, e custos operacionais reduzidos. A Bity posiciona-se como uma das principais mesas de liquidez da América Latina, adaptando suas operações para atender a um mercado que se moderniza rapidamente.

Eginara Nery, responsável pela área de pagamentos da Bity, apresentou uma nova plataforma chamada Bity Payments, que facilita a conversão de reais ou dólares em stablecoins, permitindo uma rápida liquidação em múltiplas moedas estrangeiras. Ela explicou que o sistema foi desenvolvido para garantir a transparência e a eficiência nas operações, permitindo que qualquer instituição financeira gerencie suas transações de forma ágil e segura.

O debate também abordou a regulamentação das stablecoins, com especialistas discutindo as resoluções 520 e 521 do Banco Central do Brasil. Essas normas esclarecem como corretoras de câmbio e instituições financeiras podem atuar no mercado de ativos digitais, preservando a segurança e a conformidade regulatória. As implicações dessas resoluções são cruciais para garantir que o Brasil permaneça competitivo no cenário internacional de stablecoins.

A discussão sobre IOF e a tributação das operações com stablecoins também foi um dos pontos chave do evento. Eduardo de Paiva Gomes trouxe à tona a necessidade de um ajuste na legislação para incentivar a inovação sem obstruir o avanço já integrado à economia real.

Por fim, a visão macroeconômica especificada por Ibiaçu Caetano indica que, até 2030, as emissores de stablecoins como Tether e Circle podem se tornar as maiores compradoras estruturais de Treasuries nos Estados Unidos, o que pode reforçar a posição do dólar no mercado global e oferecer ao Brasil a oportunidade de se posicionar estrategicamente nessa transformação.

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