No dia 18 de novembro de 2025, uma comissão especial que investiga a criptomoeda Libra apresentou um relatório final apontando a moeda como uma “suposta fraude”. A comissão atribuiu a responsabilidade diretamente ao presidente argentino Javier Milei, que havia promovido o projeto no início do ano.
De acordo com a mídia local, a comissão destacou que o caso da Libra não foi um incidente isolado, mencionando também a promoção de outras criptomoedas, como o KIP Protocol e as plataformas Vulcano e CoinX. É importante ressaltar que, antes de assumir a presidência, Milei já havia sido acusado de implicações em uma suposta pirâmide financeira ligada à CoinX, que prometia ganhos exorbitantes de até 96% ao ano.
A Libra alcançou um pico com um valor de mercado de US$ 4,5 bilhões, mas rapidamente caiu 89%, resultando em perdas substanciais para os investidores. As alegações contra Milei incluem não apenas a supervisão de uma fraude, mas também a falta de supervisão adequada, sugerindo que o Poder Judiciário bloqueou medidas essenciais para a investigação.
Javier Milei fez uma defesa contundente, afirmando que “não havia uma arma apontada para a cabeça de ninguém”, enfatizando que os investidores participaram por sua própria vontade. No entanto, as acusações se ampliaram com a revelação de que sua irmã, Karina Milei, teria recebido dinheiro de um dos desenvolvedores da Libra, aumentando as preocupações sobre possíveis conflitos de interesse e corrupção no governo.
A comissão concluiu que a Libra se configurou como um “rug pull”, termo usado para descrever fraudes onde os criadores de um projeto retiram todos os fundos após campanhas de marketing agressivas. Políticos como Maximiliano Ferraro e Juan Marino qualificaram o caso como uma fraude planejada, onde 80% dos investidores perderam dinheiro enquanto um pequeno grupo teve lucros significativos.
Além disso, documentos recentes apontam para pagamentos suspeitos a funcionários públicos relacionados a carteiras investigadas na Argentina e nos Estados Unidos. O deputado Nicolás Mayoraz, aliado de Milei, refutou as alegações, caracterizando-as como uma tentativa “delirante” da oposição para desacreditar o governo.
Este episódio lança luz sobre a relação entre política e criptomoedas, levantando questões cruciais sobre regulamentação, integridade e a necessidade de uma supervisão mais robusta no setor financeiro.

